Não Haverá Cidades Ricas Sem Prefeitos Inovadores


Fonte da ilustração: http://laboratorioinforliceu.blogspot.com.br

Como já mencionamos em outras ocasiões, o surgimento do conhecimento como fator estruturante da economia, neste início de século, tem obrigado países e organizações a repensar suas estratégias, ainda muito contaminadas por paradigmas de uma sociedade industrial que perde sua força a cada dia que passa.

O livro “Who’s Your City?”, de Richard Florida, professor e pesquisador norte-americano, 
ao que eu saiba, ainda não disponível em português, apresenta algumas cifras bem interessantes que fornecem um pouco mais de luz para os que se interessam em compreender os complexos fundamentos desta economia emergente, baseada no conhecimento.

Segundo o autor, o sucesso nos negócios na economia global dependerá crescentemente da compreensão do perfil, hábitos e preferências da chamada classe criativa, profissionais ligados aos setores de tecnologia da informação e comunicação, arquitetura, engenharia, educação, treinamento, artes, design, entretenimento, esportes, imprensa, gestão, finanças, saúde, marketing e outras atividades de alta sofisticação.

Dentre as muitas observações feitas por Richard Florida, na obra acima apontada, e em outros veículos de comunicação por ele coordenados ou frequentados, destacamos três delas para comentar neste espaço:

1. A classe criativa, neste início de século XXI, responde, nos Estados Unidos, por 31% dos postos de trabalho e 50% da massa salarial. As mesmas cifras para a indústria são de 23% e 20% respectivamente. No início do século XX, a industria era, de longe, o setor líder da economia, abrigando mais de 40% da força de trabalho contra apenas 10% dos postos ocupados pela classe criativa. (veja o mapa)



2. Mais do que os países, a economia mundial é hoje explicada por não mais do que 40 mega-regiões. Elas respondem por 17% da população, 2/3 do PIB e 85% das inovações globais. (confira o mapa de inovações)

3. Estas cifras, segundo o autor evidenciam que o mundo não é plano como sugere a obra de Thomas Friedman, e sim bicudo, pontiagudo. As pessoas, os talentos cada vez mais escolhem onde querem trabalhar, e esses locais, pelo conjunto de atributos requeridos, como qualidade de vida, facilidade de acesso, diversidade, opulência cultural, entre outros, são escassos e diferenciados em relação a outros territórios.

Será que os prefeitos empossados no início do ano estão conscientes desta mudança de paradigma? Eles podem estar sentados em inexploradas minas de ouro que devem ser garimpadas não mais com pás e picaretas, ou seja com procedimentos ultrapassados atrelados a era industrial, e sim com educação, políticas públicas inovadoras e muita ousadia. A riqueza, como aponta o livro, será construída cada vez mais por pessoas talentosas. As cidades que quiserem permanecer grandes ou as que pretendem atingir este patamar devem cativar essa turma, que produz riqueza sem degradar o meio ambiente.

Para concluir, conclamo-os a dar uma espiada no site do Richard Florida, ele dispõe de um conjunto bastante amplo de cifras, mapas e comentários sobre a revolução silenciosa provocada pela classe criativa. Convido-os também para uma lerem "10 Dicas para Prefeitos Inovadores", já publicada neste  observatório. Quem tiver interesse, mãos a obra, isto é, a cabeça a obra.

O Buraco é Mais Embaixo


Fonte: gritodascinco.com.br

Muito boa a iniciativa da BandNews FM SP em contabilizar os buracos da capital de São Paulo, a partir da colaboração dos moradores da cidade. 

O mapa da situação no dia de hoje pode ser visto clicando aqui.

A análise desse gráfico conduz a algumas constatações:

1. A inteligência coletiva, que é gratuita, é muito mais eficiente do que os fiscais formalmente constituídos quando se trata de detectar problemas de zeladoria urbana.

2. Os problemas explicitados pelo mapa, e só estamos falando de buracos, são de tal volume que escancaram o descompasso entre a demanda por serviços urbanos e a capacidade do setor público em saná-los.

3. Prefeituras bem intencionadas devem considerar iniciativas como esta da BandNews como pistas para rever formas arcaícas de gestão urbana, que incentivam a corrupção e conduzem ao imobilismo e, a partir daí, modelarem formas criativas de incorporar a cidadania no trabalho de zelar pela cidade. Quem acompanha este blog vem observando que vários países já estão envolvidos nessa cruzada.

Em síntese, este problema é mais um indicador de que governos excessivamente burocratizados não mais conseguem dar respostas satisfatórias a um sociedade cada vez mais articulada em rede. Um anda de maria fumaça, a outra de trem bala.

Socorro: Liguei a TV, o Tablet Travou e a Geladeira Começou a Apitar


Fonte da Ilustração: http://www.extrapolando.com

Nos tempos da  convergência digital, torna-se cada vez mais difícil estabelecer limites entre computadores, telefones, televisores, tablets, rádios, máquinas fotográficas e mais um monte de gadgets.  Tem até geladeira nessa parada. Hoje, eu assisto TV e telefono pelo computador, ouço músicas e fotografo pelo telefone, vejo minhas apresentações na tela da TV. Além da tecnologia embarcada, equipamentos que fazem de tudo, como os que eu citei acima, trazem embutido dentro deles o enorme desafio de fazer com que todas essas funções sejam entendidas por pessoas "comuns”.

Embora haja uma crescente sensibilização entre os fornecedores sobre a importância da interoperabilidade, esta batalha está ainda muito longe de ser vencida. Cada vez que eu vejo relógios de home-theater piscando, filmes sem som, sons sem filme, micros travando, penso que a jornada, de fato, está apenas começando. Há alguns anos, só para ilustrar, ao visitar um querido amigo em uma chuvosa tarde de férias em Santos, vi toda a criançada na sala assistindo um desenho animado em inglês com legendas em japonês. Tudo isto em maravilhoso branco e preto. Que tristeza. Ninguém conseguia fazer a coisa funcionar.

Em cenários caóticos como este, sempre surgem novas oportunidades de negócio que podem ser rapidamente explorados por quem melhor fizer a leitura do ambiente. O tema da convergência e das dificuldades a ela atreladas foi, por exemplo, observado com muita presteza e criatividade por uma empresa inglesa, chamada Gadget HelpLine.

Super antenada com os problemas trazidos pela babel eletrônica que tomou conta de nossos lares já há alguns anos e que promete avançar ainda mais daqui para a frente, a companhia britânica vislumbrou neles uma boa possibilidade para ganhar dinheiro. Por 4,95 libras mensais, a Gadget Helpline promete uma convivência harmoniosa entre o consumidor e seus televisores, notebooks, impressoras, DVDs, games, gravadores, etc. De segunda à sábado, das 9:00 às 18:00, se ao ligar o computador no quarto, começar a tocar o rádio da sala, é só entrar em contato. Eles vivem de desvendar esses mistérios da tecnologia. 

No Brasil, não conheço nada deste tipo. Quem souber me dê a dica pois há uma semana quando eu ligo meu notebook, a luz da sala se apaga e a campainha da casa começa a tocar.

10 Dicas Para Prefeitos Inovadores

Fonte da ilustração: rioonwatch.org.br

Em poucos dias, prefeitas e prefeitos eleitos em outubro passado estarão assumindo seus mandatos. A princípio, sejam eles iniciantes ou reconduzidos, o cenário que os aguarda está mais para drama do que para comédia.

Isto por que, na maioria dos 5563 municípios brasileiros, independente de porte ou localização, há um imenso descompasso entre as legítimas demandas da sociedade e a capacidade do poder público em atendê-las. Dificuldades de gerenciamento, aliadas a um processo civilizatório excludente, resultaram  em  uma triste realidade na qual poucos municípios brasileiros possuem, em pleno século XXI, índices de desenvolvimento humano - IDH considerados satisfatórios pela Organização das Nações Unidas - ONU.

Bem, a choradeira para por ai. O que gostaríamos de falar, daqui para a frente, para prefeitas e prefeitos bem intencionados e que queiram, de fato, mudar o filme, é que as grandes alterações que estão ocorrendo no mundo, estão abrindo novas oportunidades para os municípios, não importa onde estejam, nem o seu tamanho.

A globalização da economia, a Internet e uma série de outras novas tecnologias, cada vez mais em conta, criaram uma realidade, ainda pouco percebida pelas administrações municipais, na qual o acesso a  informação, o estímulo a criatividade e a inovação são  tão importantes como os recursos financeiros disponíveis.

Sem a pretensão de construir cenários ilusórios que, em um simples passe de mágica,  apaguem as crônicas carências municipais, esta postagem se propõe, à luz de nossa experiência em assuntos municipais e em inovação em gestão pública, a dar 10 dicas para prefeitas e prefeitos sérios que se interessem em iniciar uma longa jornada para dar às suas cidades uma nova perspectiva.

1. Não tenha medo da tecnologia

O prefeito não precisa necessariamente entender de computador e não deve ter nenhuma vergonha disto. Por outro lado, deve ter a sensibilidade de perceber que a tecnologia é hoje instrumento indispensável para levar qualquer município para frente.  Assim sendo, é fundamental, logo de cara, montar uma equipe boa que saiba mexer com essas geringonças e que atue diretamente sob o comando do prefeito. Há uma série de programas federais e estaduais que podem ajudá-los a treinar seus funcionários, a criar uma boa infra-estrutura de comunicação, a obter bons equipamentos a preços competitivos, e tudo o mais. Na era do conhecimento, uma rede de banda larga vale tanto quanto uma nova indústria ou estrada.

2. Transforme cidadãos em colaboradores

Não se assuste, você não precisa contratar ninguém para isso. Hoje, existem milhões de pessoas dispostas a colaborar, de forma gratuita, para melhorar a vida nas cidades. Na Internet há uma série de programas e serviços gratuitos que podem ajudá-lo na zeladoria da cidade. Com eles,  seus munícipes podem colaborar na fiscalização do funcionamento de hospitais, escolas, creches, conservação das ruas, etc. Existem diversas organizações sociais sérias que podem ajudá-lo na tarefa de localizar e por para funcionar esses programas. Ponha sua turma de tecnologia para ir atrás delas.

3. Não fique acomodado em sua sala

Não tente resolver tudo a partir de seu gabinete ou de dentro da prefeitura. Os computadores, por melhor que sejam, não valerão nada se não forem ocupados com projetos importantes. Para descobri-los, visite cada pedaço de seu município e imagine como você e seus munícipes gostariam de vê-lo daqui 10 anos. Participe de congressos e seminários. Converse com outros prefeitos. e lideranças importantes.  Peça a sua turma de tecnologia que crie um banco de dados com todas as entidades públicas e privadas que podem ajudá-lo não só a resolver os problemas do dia a dia como, também, a criar o município de seus sonhos. Você irá se surpreender como o número de organismos que poderão ajudá-lo.

4. Junte ideias e ponha-as para funcionar

Ideias simples postas para funcionar podem solucionar muitos dos problemas do seu município, sem que você precise gastar muito dinheiro com isso Consulte seus funcionários e a população. Colete ideias, tire-as do papel, e premie aquelas que derem certo. Hoje há muitas técnicas, bem em conta, que facilitam esse processo. A sua turma de tecnologia pode descobri-las para você.

5. Estimule a economia criativa

O que  o desenvolvimento de aplicativos para smartphones, os grupos de rock e a fabricação de bijuterias têm em comum? Todas elas fazem parte de um dinâmico segmento da economia que abriga atividades ou ocupações criativas. Este conjunto de atividades e ocupações tende a ser um dos maiores geradores de riqueza e de novas oportunidades de emprego ao longo do século XXI. Engate seu município nesse trem do futuro. Crie incentivos para atrair pessoas talentosas para sua cidade. Quanto mais facilidades você oferecer, mais talentos você atrairá e mais empregos irá gerar.

6. Melhore a prestação de serviço usando as novas tecnologias e as mídias sociais

Quase todos os serviços municipais podem ser melhorados com o auxílio das novas tecnologias (computadores, tablets, smartphones, etc) e das mídias sociais (twitter, blog, youtube, facebook, etc.). Use os serviços de sms  - os chamados torpedos - e o twitter para avisar a população sobre campanhas de vacinação, emergências em caso de enchentes, incêndios, etc., para agendar idas a hospitais, matrículas em escola. Crie unidades que concentrem diversos serviços, e que facilitem a vida dos munícipes. Use sua imaginação que a tecnologia dará suporte.

7. Ponha a administração para conversar

Os problemas municipais estão cada vez mais difíceis de serem tocados dentro de uma só secretaria, departamento ou unidade. Eles envolvem o esforço de diversas especialidades. Por exemplo, um programa habitacional não pode se esquecer da segurança, das creches, do uso do solo, do transporte e por aí vai. Para que essas ações não tragam dores de cabeça depois, pense nisso enquanto eles estão no papel. Ou seja, junte todos os envolvidos para fazer um bom projeto que não perca nenhum detalhe que possa significar atrasos ou dinheiro jogado fora. Programas de um dono só geralmente não dão certo. Trabalhar em equipe é fundamental nos dias de hoje. Comande sua turma e ponha-os para conversar e elaborar conjuntamente os projetos. Depois disso, defina os gerentes que conheçam o problema e que saibam trabalhar em equipe. Dá trabalho antes, mas evita a UTI, depois.

8. Compre bem

Comprar bem, usando a legislação adequada, constitui uma das mais importantes atribuições dos prefeitos. Uma compra cuidadosa permite não só esticar os normalmente escassos recursos colocados à disposição das prefeituras, como promove a transparência dos atos públicos. Felizmente, essa nobre missão, hoje em dia, está muito facilitada. O governo federal e administrações estaduais possuem hoje sites específicos, de ótima qualidade,  para orientar as compras públicas. O Governo de São Paulo, por exemplo,  mantem uma página na Internet, o CADTERC - Cadastro de Serviços Terceirizados, a mais importante referência nacional sobre esta questão. Nela, as prefeituras interessadas irão encontrar os preços referenciais para os principais serviços a cargo das municipalidades, estudos sobre formação de preço dos mesmos, simuladores de gastos e economia, além de links que apontam para a legislação que regula essa matéria, informações sobre pregões, manuais de editais, etc. O site e seus links são um autêntico consultor on-line trabalhando descanso para sua prefeitura sem cobrar nada por isso. Não deixe de usá-lo.

9. Transforme seu município em uma grande escola

Prover educação de boa qualidade a todos os brasileiros é provavelmente o maior desafio nacional. Somente por meio de ações sérias e continuadas nessa área, conseguiremos diminuir, de forma consistente, as desigualdades que ainda nos envergonham e entrar pela porta da frente na emergente sociedade do conhecimento. As prefeituras tem papel fundamental nesse esforço. A escola no século XXI não pode se  limitar a um determinado espaço físico para o qual as pessoas se dirigem em determinado horário. A aprendizagem, em nossos dias, precisa muito mais do que isso. A escola tradicional é apenas um dos locais destinados ao ensino. Aprender hoje é atividade continuada que abrange todo o ciclo de vida, desde o maternal até a melhor idade. Para tanto, qualquer próprio municipal, as relações de vizinhança, a casa dos munícipes, os pontos gratuitos de acesso a Internet, o celular de cada um, as empresas instaladas em sua cidade  e, obviamente, as escolas tradicionais devem formar uma grande rede de aprendizagem no ar 24 horas por dia 7 dias por semana que impulsione ações pedagógicas inovadoras  que englobem a alfabetização, a reciclagem profissional, a  preparação  para as novas ocupações que estão nascendo, entre outros desafios. Vá atrás de quem esteja interessado em revolucionar seu município. Você irá encontrar muitos sócios nessa empreitada. Também aqui, a Internet irá ajudá-lo a descobrir parceiros.

10. Crie uma marca para seu município

Lembre-se que, no Brasil, existem 5562 municípios, além do seu. Por isso, é de todo conveniente criar uma marca que o distinga dos demais e que deixe bem claro os enormes desafios que você está abraçando para prepará-lo para o século XXI. Envolva toda a municipalidade nesse esforço criativo e premie as melhores sugestões. Para conseguir patrocínios fale com o coração e explique seus sonhos. Se você acreditar neles e estiver firmemente empenhado nessa revolução não faltarão organismos que queiram ajudá-lo.


Relembramos, para acabar, que essas dicas não são saídas milagrosas que irão transformar sua vida em um mar de rosas e sua cidade em um paraíso sobre a terra. Isso, infelizmente, não existe. Mas uma coisa podemos assegurar, se você tiver vontade política de implementá-las, ao cabo de 2 anos, seu município terá mudado de patamar e começará enxergar novas oportunidades para as atuais e futuras gerações que pareciam impossíveis no dia de sua posse.

Independente de onde você estiver, consulte a rede paulista de inovação e descubra mais dicas interessantes.

Por ora, enviamos a todas prefeitas e prefeitos eleitos nossos sinceros votos de boas festas e a torcida para uma ótima gestão.

Primeiro os Colaboradores, Depois os Clientes



Casos concretos de sucesso na aplicação de novos métodos de trabalho, mais afinados com as necessidades da era do conhecimento, constituem, no plano profissional, o maior objeto de desejo de todos que se interessam por inovação em gestão.

Este grande interesse se justifica na medida em que tais experiências, por romperem com  centenários paradigmas da  sociedade industrial construídos há mais de cem anos, ajudam a formar massa crítica sobre a organização do século XXI. Na verdade, por vivermos um raro momento de transição entre eras econômicas - da industrial para a do conhecimento - já sabemos direitinho o que não funciona mais, mas ainda estamos engatinhando na construção de um modelo de organização pós industrial.

Fiz esta introdução para recomendar a leitura do livro "Primeiro os Colaboradores, Depois os Clientes (PCDC): Virando a Gestão de Cabeça para Baixo", escrito por Vineet Nayar, CEO da empresa indiana HCL Technologies, lançado no Brasil pela Bookman. Trata-se de uma obra indispensável para quem deseja especular sobre o que vem a ser, de fato, uma organização orientada para criar e compartilhar conhecimento que gere valor para o cliente.

Nele, Vineet conta como comandou a transformação de uma empresa em declínio e desmotivada em um dos maiores players mundiais na área de serviços de tecnologia, presente em 26 países, dentre eles o Brasil. Métricas para comprovar o sucesso da iniciativa não faltam. Mencionarei umas poucas. No universo das cerca de 3000 empresas do setor, abrigadas na base de dados da Bloomberg, apenas 7, entre elas a HCL, possuem receita  superior a 2,5 bilhões de dólares anuais, valor de mercado acima de 5 bilhões de dólares e taxa de crescimento que ultrapassa os 25% ao ano, nos 5 últimos exercícios.

Em seu relato, Vineet diz que toda a estratégia de transformação depende de inovação no que fazer - novos produtos, novos mercados, etc.- e no como fazer - a maneira pela qual a empresa gerencia seus recursos e unidades. O pulo do gato da HCL foi rever as proporções tradicionais e mergulhar de cabeça, no como, ao contrário do mercado, normalmente mais preocupado com o que

Segundo Vineet, tentar colocar os clientes em primeiro lugar, sem mexer no envolvimento dos colaboradores e na estrutura administrativa da empresa, transforma esta visão em um slogan oco desprovido de factibilidade. A estratégia "PCDC", desenvolvida pela HCL, consistiu em promover um conjunto de reflexões e ações pontuais, porém nada ortodoxas, levadas avante sem suporte de consultorias especializadas, que objetivaram aproveitar, ao máximo, o capital intelectual de cada colaborador, de modo a ajudar a realinhar a empresa para oferecer não mais produtos inovadores, centrados na tecnologia, mas soluções inovadoras fundadas na necessidade do cliente.

Em breve, falarei dos pontos da estratégia PCDC, que mais chamaram minha atenção. Por ora, convido-os a visitar o site da HCL, e sentir a gostosa brisa de inovação por ele emanada.

Sindicato dos Robôs

fonte; wikipedia.org

Nas palavras de Peter Drucker, o grande mérito da gestão ao longo do século XX  foi o de elevar em 50 vezes a produtividade do trabalhador manual. As teorias desenvolvidas por Taylor, Ford, Fayol e seus seguidores, somadas às novas tecnologias usadas nas fábricas e escritórios, estão na raiz deste enorme salto.

O problema é que a simples extrapolação dessas práticas para as organizações do século XXI não será suficiente para mantê-las vivas. Isto por que, ainda de acordo com Drucker, o conhecimento, ao atingir o status de fator de produção número 1 em termos de geração de riqueza, mudou totalmente as regras do jogo corporativo, desafiando as organizações que queiram continuar fortes e competitivas a aumentar a produtividade do trabalhador do conhecimento, na mesma proporção conseguida para o trabalhador manual.

Isto traz um grande complicador, a mobilização para o trabalho intelectual requer a montagem de um novo "campo de batalha", totalmente distinto daquele criado para obter ganhos na produtividade do trabalho manual. Por ser muito recente, a percepção da necessidade de mudança ainda é muito desigual.  Algumas poucas organizações, mais antenadas, já nasceram ou se recriaram em torno do conhecimento e da inovação. A maioria delas, no entanto, somente agora começa a pensar mais seriamente em como promover essa mudança e nos problemas a ela associados.

Um desses possíveis problemas, por exemplo, veio a tona em uma aula que ministrei recentemente. Ao comentar as características desse novo "campo de batalha", ouvi de uma aluna a seguinte questão: nesse novo ambiente organizacional, não precisaremos nos preocupar mais com a produtividade do trabalho manual? 

Por ser um tema bem interessante, resumo aqui, a resposta que dei a ela. 

Na minha percepção, o trabalho manual sem dúvida, continuará importante, mas também ele será impregnado de doses cavalares de conhecimento. Em outras palavras, a elevação da produtividade manual dependerá cada vez menos de "homens fazendo" e mais de "homens pensando". 

Por mais barata que seja a mão de obra de baixa qualificação, haverá um momento, ainda neste século, no qual a realização de funções repetitivas, com baixa demanda intelectual,  tornar-se-á exclusiva dos robôs e de sua turma - softwares e sistemas de informação - elementos bem comportados, de poucas palavras, que moram no emprego, não cobram vale-alimentação e não fazem greve, pelo menos até que os softwares neles carregados tornem-se mais inteligentes e conduzam-nos à sindicalização.

Este cenário, que parece ficção científica, está, no entanto, cada vez mais próximo, com implicações bastante nebulosas, que extrapolarão em muito a banal questão da produtividade organizacional, e sobre as quais nos atreveremos a conversar oportunamente. Por ora, recomendo a leitura desta reportagem da Folha de São Paulo, publicada no dia 27 de agosto de 2012.

Tributo a Dom Paulo


Há muitos anos, um colega de serviço visitou uma favela aqui na capital paulista em companhia de Dom Paulo Evaristo Arns, à época arcebispo de São Paulo.

Durante o trajeto, Dom Paulo, não me recordo o porquê, comentou com ele que, ao conversarmos com as pessoas,  se quisermos, para valer, saber a realidade sobre determinado fato ou situação, devemos tomar especial cuidado com a maneira pela qual nos expressamos.

Para exemplificar, Dom Paulo começou a falar com os moradores, deixando sempre escapar uma pergunta do tipo: as coisas aqui estão muito ruins, hein? Quase todos os interlocutores concordaram com o arcebispo, desfiando um rosário de lamentações.

Lá para as tantas, Dom Paulo resolveu mudar a questão. A vida de vocês aqui é bem gostosa, hein?, começou a indagar a todos com quem fosse se encontrando. Como se a visita tivesse se transferido para um condomínio de luxo, as respostas, em sua grande maioria, passaram a discorrer sobre as belezas do local.

Algo perplexo, meu colega perguntou ao Dom Paulo: e aí, como fazer a pergunta certa?

O arcebispo com sua maneira dócil, uma das maiores virtudes dos verdadeiramente fortes, aliás, observou: 

- As melhores respostas você obtém sem fazer perguntas.

Há mais de 30 anos convivo com esta frase, sempre me surpreendendo com sua propriedade e adequação   à realidade da imensa maioria das organizações, sejam elas privadas ou governamentais. Onde há muitas perguntas, há pouco conhecimento. Podem reparar.

Aprendi, vida afora, que não só no trabalho, como em casa, ou no acalorado bate papo com os amigos, sobre futebol, política, sexo ou outro assunto qualquer, as perguntas, em sua grande maioria, são veículos que usamos para ouvir algo que nos conforte, anime, iluda, isente, e por aí vai. Isto é próprio do ser humano e não nos deve surpreender. Usar as respostas que colhemos, como norte, no entanto, já é outro papo. Provavelmente, teremos que fazer o retorno, mais à frente.

Muito boa, esta postagem, não?