Última Saída: Criatividade



Tudo muda de forma avassaladora nos dias de hoje. É como se todos estivéssemos em cima de uma esteira ultrarrápida e, o que é pior, com a velocidade aumentando a cada momento.

Mais ainda, você não sabe o destino da esteira e nem o momento exato de pular fora.

Neste cenário, que só tende a se tornar mais crítico ao longo dos próximos anos, diminui o espaço das respostas prontas, dos manuais, dos procedimentos inquestionáveis. Em outras palavras, a nossa zona de conforto está cada vez mais estreita e nada, até o momento, sugere que esse quadro vá se estabilizar.

Qual a saída? 

Não Deixe Sua Informação Virar Traça


Um dos paradigmas gerenciais, que felizmente está indo por água abaixo na sociedade do conhecimento, é o famoso “informação é poder, e por isso eu não a divido com ninguém”.

Nunca acreditei muito nessa lorota, mas agora o fracasso dessa postura está ficando mais evidente.

Minhas impressões sobre cinco dos porquês, que podem explicar essa virada:

A Criatividade é o Gênio Dentro da Garrafa



Fonte da Ilustração: http://www.rockettstgeorge.co.uk/

Quanto mais complexo e imprevisível torna-se o mundo, mais as soluções prontas perdem efetividade.

Por isso, as organizações contemporâneas dão, a cada dia que passa, mais importância ao recrutamento de pessoas talentosas que enxerguem soluções para problemas considerados insolúveis, quando filtrados por modelos mentais construídos em momentos de águas menos revoltas.

Nessa caça ao tesouro, vem a tona  a velha questão: criatividade é um dom ou se aprende? Quem nos lê sabe que advogamos a ideia da aprendizagem. As escolas abriram mão de formar pessoas criativas por que o mercado pedia perfis mais comportados. Hoje, esse cenário mudou abruptamente e as escolas começam a se reconstruir. Mas isto leva tempo, muito tempo. Por isso mesmo, as próprias organizações podem e precisam ser “escolas” de criatividade.

A esse respeito, acabei de ler, no Linkedin, um texto de Bob Gilbert, presidente da "Captivation Marketing", que reitera a ideia de que a criatividade é um atributo que todos temos, mas que, nem sempre, ou, mais corretamente, quase nunca desenvolvemos.

A partir de sua larga e exitosa experiência de trabalhar com pessoas talentosas, Bob aponta, nessa postagem, sete dicas para destravar a criatividade nos planos pessoal e organizacional.

Aponto abaixo a minha pessoal e resumida leitura dos pontos muito oportunamente identificados por Bob.

Inovação em Governo: A Fila Começa a Andar


Em 1999, Peter Drucker afirmou que o grande desafio da gestão no século XXI seria aumentar a produtividade do trabalhador do conhecimento na mesma proporção que ela propiciou ao trabalhador da indústria.  Ressalvou, no entanto, que, dadas as características bem distintas de cada uma das economias, os métodos a serem adotados pelas organizações serão obrigatoriamente diferentes.

Passados 15 anos dessa menção, diversos pensadores, de diferentes escolas de pensamento, em distintos locais do planeta, ainda estão concebendo, testando e aprimorando os, tais métodos vislumbrados por Drucker. Em momentos como este, a inércia do passado ainda se impõe sobre a dinâmica do futuro.

Com o passar do tempo, essa inércia irá diminuir e as organizações privadas e os governos terão obrigatoriamente que redesenhar seus processos de trabalho à luz dessa nova sociedade centrada no conhecimento. As organizações privadas que não o fizerem serão engolidas pela concorrência criativa e os governos perderão poder de articulação e coordenação.

É exatamente sobre a capacidade de comando do setor público na era do conhecimento que gostaríamos de falar um pouco mais na sequência dessa postagem.


Big Data: Como Evitar Um Big Fracasso

Há mais de 40 anos, em um trabalho acadêmico, tive a oportunidade de entrevistar um empresário aqui de São Paulo. Durante a conversa, fui por ele apresentado a uma pasta contendo uma série de recortes de notícias colhidos nos mais importantes jornais e revistas da época, aos quais se somavam alguns manuscritos por ele mesmo redigidos com base no que captava nos programas de rádio e TV. Tudo classificado de A a Z.

Este é o meu mais importante banco de dados, me disse com indisfarçável orgulho.

E as informações que vem dos computadores? O senhor não as utiliza? Perguntei algo surpreso.

Facebook Compra Conhecimento e Paga R$ 45 Bilhões

Fonte da Ilustração:  The Land
A compra do WhatsApp pelo Facebook por US$ 19 bilhões, equivalente a algo como  R$ 45 bilhões, é mais um eloquente indicador do valor dos bens intangíveis em uma nova economia centrada no conhecimento. 

Uma empresa com pouco mais de 50 funcionários chega a este montante a partir de uma ideia de duas pessoas, Brian Acton e Jan Koum, posta em prática em 2009, e que se transformou rapidamente uma plataforma de comunicação instantânea para cerca de 1 bilhão de pessoas, este sim seu verdadeiro capital.

Para visualizarmos o que significa R$ 45 bilhões, basta dizer que esta cifra supera a somatória dos PIBs de Roraima, Acre, Amapá  e Tocantins, no ano de 2011. O Facebook, por sua vez, tem hoje uma valor de mercado de aproximadamente R$ 412 bilhões, mais do que o PIB de Minas Gerais, o terceiro maior do Brasil, também em 2011.

Será que nós, como nação, já nos demos conta que a geração de riqueza passa cada vez menos por bens materiais que circulam por portos e aeroportos e mais pelas fibras óticas de redes mundiais integradas? Será que percebemos que a educação é o passaporte para ingressar nessa nova economia? Será?

Tributo a Jorge Wilheim

fonte da ilustração: www.jorgewilheim.com.br

Ao longo de minha carreira profissional, tenho tido a felicidade de trabalhar com algumas pessoas muito especiais cuja convivência representa, ou representou, uma inesquecível oportunidade de aprendizagem.

Uma dessas figuras foi Jorge Wilheim, arquiteto e urbanista, falecido sexta-feira dia 14 de fevereiro, com o qual tive a honra de trabalhar diretamente por cerca de quatro anos, na EMPLASA, no início da última década do século passado.

Procurei, nesse período, como habitualmente faço com as pessoas que entendo serem referências importantes, absorver todo o conhecimento tácito que uma oportunidade dessas proporciona.

Durante nossa convivência profissional, observei no comportamento dele algumas características que marcaram bastante minha vida profissional e pessoal. Algumas delas, gostaria de compartilhar nesta postagem.