Quem Fica Olhando Muito Para Trás, Tem Um Grande Passado Pela Frente

Fonte da Ilustração: Openbuildings.com


A frase que dá título a este post, proferida pelo grande filósofo e professor Mario Sergio Cortella, deve servir de alerta a muitos de nossos prefeitos. 

A maioria deles ainda enxerga a atração de indústrias como o único caminho para o desenvolvimento de uma cidade. Esta visão, formada nos tempos em que fábrica era sinônimo de riqueza, tem feito com que novas oportunidades de crescimento, vinculadas a uma economia cada vez mais pujante, centrada no conhecimento, o mais valioso insumo dos nossos dias, não sejam devidamente estudadas, exploradas e aproveitadas.

O que os senhores prefeitos precisam descobrir, desde já, é que nos dias atuais há uma nova "estrada", ainda mal sinalizada, para cidades que almejam um papel de destaque na emergente sociedade do conhecimento. De antemão, asseguro que para chegar a ela não basta usar a velha e onerosa prática de atrair empresas. O sucesso para galgar essa nova "estrada" depende da atração de talentos, pessoas, gente que possa, com o seu capital intelectual, gerar novos modelos de negócio, produtos e serviços que conduzam o município a um ciclo sustentável de prosperidade.

Embora essa percepção seja ainda bastante tênue, a cada ano que passa cresce o número de cidades que procuram agências de desenvolvimento, órgãos de fomento ou instâncias semelhantes, para ajudá-las, quer na identificação de suas potencialidades, como na transformação dessas vantagens em um ambiente de negócios inovador que sirva de imã para as novas gerações,  as quais, além de possuírem mais familiaridade com as modernas tecnologias, trazem, dentro delas, sonhos, padrões de consumo, exigências socioambientais e visão de mundo bastante diversa das gerações que lhes antecederam.

O Dilema da Nova Geração na Antiga Corporação

Fonte: 99jobs.com
Um dos grandes desafios das organizações contemporâneas, sejam elas privadas ou governamentais, gira em torno de como conciliar a maneira de trabalhar, moldada em cima de hierarquias rígidas, profusão de departamentos, restrição à criatividade, só para citar alguns dos traços que ajudaram a construir a era industrial, com os anseios de jovens que vivem em uma sociedade caótica, globalizada, na qual as novas tecnologias são utilizadas de forma tão intensa e natural em seus processos de aprendizagem, relacionamento e lazer, que dificultam a percepção, por parte deles, que já houve, não faz muito, um mundo sem Internet.
Por conta dessas características, o local de emprego é o campo de batalha onde esses conflitos vêm a tona de forma mais marcante. Observem que a mesma angústia do antigo profissional, averso à inovação, tem, ao se deparar com um tablet ou smartphone,  é encontrada entre os nativos digitais ao observar carimbos e caixinhas de entrada e saída de documentos em papel.
Esse embate não vai ser fácil e o resultado ainda é nebuloso. Um aspecto, no entanto, ficou evidente pelo relato dos especialistas com os quais tenho conversado. Nessa luta, as organizações vão ter que mudar mais do que os jovens ingressantes. O motivo é surpreendentemente simples. Esse novo funcionário é também o novo fornecedor, o novo consumidor (para a empresa privada) e o novo cidadão (para os governos de uma forma geral). Eles estão atacando de todos os lados.
No caso particular dos governos, esta questão merece um exame ainda mais aprofundado, na medida em a idade média dos funcionários públicos, de uma forma geral, não obstante a realização de muitos concursos, em anos recentes, encontra-se bem acima da média da população nacional, o que sugere uma crescente incorporação de jovens ao longo dos próximos períodos.

O fato é que, todas as organizações para se manterem competitivas, no caso das empresas privadas, ou representativas, no casos dos governos, deverão examinar e entender os sonhos e valores dos que estão chegando para que, ao iniciar o trabalho, a energia e o idealismo dessa garotada não comecem a derreter.
Neste sentido, o grande sucesso da  empresa paulista 99jobs, que tem como seu principal produto um site cujo objetivo é conectar organizações e pessoas que procuram colocação em torno de um conjunto de valores comuns que confiram a esse casamento uma maior probabilidade de sucesso, já mostra o despertar de algumas organizações para este dilema que tende a se ampliar nos próximos anos.

Concluo esta postagem com um quadro que consolida as principais características destes jovens, com base na experiência de alguns renomados recrutadores.


atualização de documento publicado em 2009

Última Saída: Criatividade



Tudo muda de forma avassaladora nos dias de hoje. É como se todos estivéssemos em cima de uma esteira ultrarrápida e, o que é pior, com a velocidade aumentando a cada momento.

Mais ainda, você não sabe o destino da esteira e nem o momento exato de pular fora.

Neste cenário, que só tende a se tornar mais crítico ao longo dos próximos anos, diminui o espaço das respostas prontas, dos manuais, dos procedimentos inquestionáveis. Em outras palavras, a nossa zona de conforto está cada vez mais estreita e nada, até o momento, sugere que esse quadro vá se estabilizar.

Qual a saída? 

Não Deixe Sua Informação Virar Traça


Um dos paradigmas gerenciais, que felizmente está indo por água abaixo na sociedade do conhecimento, é o famoso “informação é poder, e por isso eu não a divido com ninguém”.

Nunca acreditei muito nessa lorota, mas agora o fracasso dessa postura está ficando mais evidente.

Minhas impressões sobre cinco dos porquês, que podem explicar essa virada:

A Criatividade é o Gênio Dentro da Garrafa



Fonte da Ilustração: http://www.rockettstgeorge.co.uk/

Quanto mais complexo e imprevisível torna-se o mundo, mais as soluções prontas perdem efetividade.

Por isso, as organizações contemporâneas dão, a cada dia que passa, mais importância ao recrutamento de pessoas talentosas que enxerguem soluções para problemas considerados insolúveis, quando filtrados por modelos mentais construídos em momentos de águas menos revoltas.

Nessa caça ao tesouro, vem a tona  a velha questão: criatividade é um dom ou se aprende? Quem nos lê sabe que advogamos a ideia da aprendizagem. As escolas abriram mão de formar pessoas criativas por que o mercado pedia perfis mais comportados. Hoje, esse cenário mudou abruptamente e as escolas começam a se reconstruir. Mas isto leva tempo, muito tempo. Por isso mesmo, as próprias organizações podem e precisam ser “escolas” de criatividade.

A esse respeito, acabei de ler, no Linkedin, um texto de Bob Gilbert, presidente da "Captivation Marketing", que reitera a ideia de que a criatividade é um atributo que todos temos, mas que, nem sempre, ou, mais corretamente, quase nunca desenvolvemos.

A partir de sua larga e exitosa experiência de trabalhar com pessoas talentosas, Bob aponta, nessa postagem, sete dicas para destravar a criatividade nos planos pessoal e organizacional.

Aponto abaixo a minha pessoal e resumida leitura dos pontos muito oportunamente identificados por Bob.

Inovação em Governo: A Fila Começa a Andar


Em 1999, Peter Drucker afirmou que o grande desafio da gestão no século XXI seria aumentar a produtividade do trabalhador do conhecimento na mesma proporção que ela propiciou ao trabalhador da indústria.  Ressalvou, no entanto, que, dadas as características bem distintas de cada uma das economias, os métodos a serem adotados pelas organizações serão obrigatoriamente diferentes.

Passados 15 anos dessa menção, diversos pensadores, de diferentes escolas de pensamento, em distintos locais do planeta, ainda estão concebendo, testando e aprimorando os, tais métodos vislumbrados por Drucker. Em momentos como este, a inércia do passado ainda se impõe sobre a dinâmica do futuro.

Com o passar do tempo, essa inércia irá diminuir e as organizações privadas e os governos terão obrigatoriamente que redesenhar seus processos de trabalho à luz dessa nova sociedade centrada no conhecimento. As organizações privadas que não o fizerem serão engolidas pela concorrência criativa e os governos perderão poder de articulação e coordenação.

É exatamente sobre a capacidade de comando do setor público na era do conhecimento que gostaríamos de falar um pouco mais na sequência dessa postagem.


Big Data: Como Evitar Um Big Fracasso

Há mais de 40 anos, em um trabalho acadêmico, tive a oportunidade de entrevistar um empresário aqui de São Paulo. Durante a conversa, fui por ele apresentado a uma pasta contendo uma série de recortes de notícias colhidos nos mais importantes jornais e revistas da época, aos quais se somavam alguns manuscritos por ele mesmo redigidos com base no que captava nos programas de rádio e TV. Tudo classificado de A a Z.

Este é o meu mais importante banco de dados, me disse com indisfarçável orgulho.

E as informações que vem dos computadores? O senhor não as utiliza? Perguntei algo surpreso.